O verdadeiro guerreiro não suporta a vergonha de falhar como pai, como esposo ou
como senshi/bushi. A falha não é uma opção em alguns assuntos. As mulheres japonesas
não se permitem falhar como esposas ou mães também, é preferível a morte.
Na família de um guerreiro não há espaço para desunião ou mentiras. O casal não deve
ser inflexível. As pessoas são sempre diferentes, não importa quantas qualidades tenham
em comum. Uma mulher que não respeita seu marido não é uma boa esposa e jamais será
uma boa mãe. Um homem que não respeita sua esposa não é um bom marido e jamais será
um bom pai. O casal deve ser harmonioso como o Yin Yang não interessa o tamanho
do problema, não interessa se há ou não possibilidade de resolvê-lo. As adversidades devem ser vencidas pelos dois e encaradas como
um teste. Sempre após uma tempestade
há uma costa segura e seca onde pode-se caminhar novamente.
Em assuntos domésticos a mulher retém o poder predominantemente.
Em assuntos de educação de filhos, o homem aponta o caminho a ser seguido.
CHUDÕ:
O marido é responsável pela esposa. Seu dever reside em zelar pela
integridade física e moral dela. Transformar os filhos em bons adultos também
é responsabilidade do homem. Ele deve reter grande sabedoria e senso de justiça
para fazer isso corretamente. É dever do homem morrer pela sua família. É dever do homem ser um pai e marido dedicado. O homem só pode aceitar a desonra para proteger
sua família. Em outros casos ele deve morrer pelo valor de quem ele é.
Se o homem falhar como pai ou marido, nem a morte levantará seu nome novamente.
Ele deve ser esquecido, um destino muito pior do que a morte.
A esposa é responsável pelo marido. Seu dever é cuidar dos assuntos
de casa, estar sempre a disposição dos filhos e do marido e ser incondicionalmente
fiel para com eles. Cuidar da aparência física e da saúde mental deles.
Se a mulher abandona seus deveres então ela abandona a si mesma, torna-se
alguém sem propósito, sem vida. Quando se está morto deve-se morrer.
AISHINDÕ:
O homem deve demostrar ao máximo seus sentimentos para a esposa.
Se ele não consegue fazer isso então seus sentimentos não são verdadeiros.
Mentir sobre amor é como traição. O homem deve ser sempre honesto com a esposa,
não importa o que está em jogo, mentira e omissão são coisas que apenas os
covardes carregam. Todos os valores do Aishindõ são igualmente seguidos
pelas mulheres dos guerreiros. Uma mulher covarde é a pior coisa que um homem
pode possuir. Não há vergonha que resida na verdade que não possa ser remediada.
A mulher deve escolher muito bem seu marido, muitas se fascinam pela segurança
que o guerreiro oferece e não avaliam que um vassalo simples pode ser uma melhor escolha.
É conscenso que um guerreiro constitui um melhor marido, mas geralmente guerreiros morrem cedo.
Além disso a esposa de um guerreiro deve assumir sua vida. Amor é vida. Vida é responsabilidade.
Eu mesmo testemunhei o seppuku de uma mulher certa vez, ela havia estado
com um gaijin vindo da España. Coberta pela vergonha ela pediu ao marido
que cortasse sua cabeça durante o ritual para diminuir sua dor, o nobre marido,
ofereceu compaixão e o fez. Pelo fato de ele ser um Samurai, é provável que a família inteira
de sua esposa tenha cometido seppuku em sinal de respeito e vergonha, pois
não foram encontrados mais registros de sua existência desde então.
O Samurai disse que jamais amaria outra mulher e permaneceria fiel a ela até sua morte.
Ele era um homem esclarecido. Ele era um verdadeiro guerreiro. Embora seu nome seja
conhecido pelas províncias desta terra, não será revelado por mim.
A vida não é nada se comparada a honra.
Honra e amor estão intimamente ligados.
SHINDÕ:
O caminho da verdade não se ramifica jamais. Ele não é como a
copa de uma árvore. Nem como as raizes. É como o tronco. Existem ramificações tanto na parte superior quanto na parte inferior da árvore. O Caminho consiste em
estar agarrado ao tronco onde não há lugares para se esconder. Certamente
são poucos os que conseguem fazer isso. Ali é o lugar mais difícil. A verdade
é sempre um caminho inflexível. Um guerreiro que falta com a verdade é
como um animal que não se equilibra com a floresta. Que não conhece seu lugar.
Tal animal não serve nem ao menos para ser comido. Tal animal não deve existir.
É vergonhoso que um homem ou uma mulher falte com a verdade em qualquer
caso. Neste o seppuku é mais apropriado. Uma vez que alguém é falso sempre será falso.
Reconhecer isso e acabar com a própria vida pode garantir um melhor destino na próxima.
O Caminho é piedoso com aqueles que não se acorvardam novamente.
O-GAMAEDÕ:
Defender a honra do marido em sua ausência é fator crucial
para definir-se como esposa. A mulher deve fazê-lo com o mesmo valor
que um guerreiro têm com os assuntos marciais. Ter uma postura correta
perante os outros homens e mulheres é de grande valia. Uma mulher sem
estas qualidades primordiais não será jamais reconhecida como esposa.
Tanto para o homem quanto para a mulher a falta de reconhecimento
mútuo gera desconfortos. Se pessoas se unem para ficarem desconfortáveis
deveriam ficar sozinhas. Saber ver quem o outro realmente é e reconhecer
essa pessoa com amor é o que diz o O-gamaedõ. A lealdade também é inflexível.
Os valores entre amor e raiva não podem jamais se confundir.
Não há amor na raiva. Não há raiva no amor. Entre marido e esposa
deve existir apenas o amor. A postura é resultado disso.
A continuidade do amor é resultado da postura.
O casal deve ser como a lâmina de uma katana.
Nada detém o corte de uma katana,
mas ela deve estar limpa.
"HÁ MAIS NESTAS LETRAS DO QUE MUITOS PODEM LER..."